Roblox aposta na América Latina com Diego Dzodan: o que essa nomeação revela sobre o futuro do varejo, do entretenimento e da economia criativa no Brasil
A Roblox acaba de fazer uma das movimentações executivas mais relevantes do setor de tecnologia e entretenimento digital em 2026. A plataforma, que se tornou um dos maiores fenômenos globais de jogos online e experiência

No final de abril de 2026, a Roblox anunciou Diego Dzodan como novo general manager para a América Latina. Para quem só conhece o nome do executivo de longe, parece apenas mais uma troca de cadeira corporativa entre big techs. Para quem entende como Brasil e Roblox estão se encontrando neste momento específico da história digital, é um dos movimentos mais reveladores do ano. A escolha de Dzodan, ex-vice-presidente da Meta para a América Latina, ex-presidente regional da SAP e cofundador da Facily, sinaliza claramente o que a Roblox quer fazer aqui: transformar a região em polo global de criação, monetização e ativação de marcas dentro da plataforma.
Os números explicam por que essa aposta faz sentido. A Roblox encerrou o primeiro trimestre de 2026 com 151,5 milhões de usuários ativos diários no mundo, distribuiu mais de 1 bilhão de dólares para sua comunidade de criadores no último ano e viu seus mil principais desenvolvedores faturarem em média 1,1 milhão de dólares cada um. Brasil é hoje o quarto maior mercado de desenvolvedores da plataforma, com taxa de crescimento que coloca o país no radar estratégico da empresa para os próximos cinco anos. Não é exagero dizer que a próxima geração de jovens empreendedores digitais brasileiros pode estar sendo formada agora, dentro do Roblox.
Esse artigo destrincha quem é Diego Dzodan e por que sua trajetória importa, contextualiza o tamanho real da Roblox em 2026, mostra como marcas internacionais e nacionais estão usando a plataforma como mídia, analisa o que muda na prática para criadores brasileiros e oferece um plano de ação para profissionais de marketing que ainda não entraram nesse ecossistema.
Quem é Diego Dzodan e por que a escolha é estratégica
A trajetória do executivo merece análise cuidadosa porque revela exatamente o tipo de operação que a Roblox quer construir na região. Dzodan acumulou mais de 20 anos em posições de liderança em três tipos diferentes de empresa, e cada uma dessas experiências traz uma camada relevante para o novo cargo.
A escola SAP: governança corporativa e venda B2B
Antes de virar nome conhecido fora do círculo corporativo, Dzodan teve longa trajetória na SAP, gigante alemã de software empresarial. Subiu posições até alcançar a presidência regional, acumulando experiência em vendas complexas, transformação digital de grandes empresas e gestão de equipes em múltiplos países. Esse repertório é fundamental para a nova função porque a Roblox precisa profissionalizar a relação com marcas grandes que ainda olham a plataforma com desconfiança. Vender experiências dentro do Roblox para o board de uma multinacional exige o tipo de linguagem corporativa que executivos de SAP dominam.
A escola Meta: comportamento de usuário e dinâmica de plataforma
Como vice-presidente da Meta para a América Latina, Dzodan liderou operações em um dos mercados digitais mais dinâmicos do mundo. Conhece intimamente como o consumidor brasileiro, mexicano, argentino e colombiano se comporta em plataformas digitais, qual é a velocidade de adoção de novos formatos, quais são as particularidades culturais que diferenciam a região do mercado americano e europeu. Esse conhecimento é insubstituível e dificilmente seria encontrado em executivo importado dos Estados Unidos.
A escola Facily: empreendedorismo digital e social commerce
O detalhe que muitos analistas estão subestimando é a passagem de Dzodan pela Facily como cofundador. A Facily foi uma das primeiras plataformas de social commerce do Brasil, conectando vendas em comunidades online com dinâmica de influenciadores e conteúdo. Essa experiência empreendedora dá ao executivo perspectiva que executivos puramente corporativos não têm: ele sabe como é construir negócio digital do zero, como funciona a mecânica de comunidades online e como criadores de conteúdo se conectam com produtos.
A combinação dessas três trajetórias é o que torna a escolha estratégica. Roblox precisa simultaneamente de credibilidade corporativa para vender para marcas grandes, conhecimento profundo do comportamento digital regional e visão empreendedora para apoiar criadores em ascensão. Dzodan reúne esses três perfis em um único executivo, o que é raro e explica por que a Roblox o escolheu para liderar uma das regiões mais estratégicas do crescimento global da empresa.
O Roblox de 2026: o tamanho real do que está em jogo
Para entender por que a chegada de Dzodan importa, é preciso dimensionar o que a Roblox virou. A imagem ainda comum de "joguinho infantil de bloquinhos" está completamente desatualizada e atrapalha quem precisa tomar decisões de marketing baseadas na realidade atual.
Demografia: já não é só criança
O usuário mais engajado da Roblox em 2026 está na faixa dos 17 aos 24 anos. Os usuários acima de 18 anos representam 26 por cento da base diária verificada por idade, e nos Estados Unidos esse grupo cresce 40 por cento ao ano em horas de uso. A faixa de 18 a 34 anos cresce mais de 50 por cento, mais rápido do que qualquer outro grupo. Mais relevante para profissionais de marketing: esses usuários adultos monetizam mais de 50 por cento acima dos usuários menores de 18 anos. Em outras palavras, o público de poder de compra está crescendo dentro da plataforma.
Economia: ecossistema bilionário
O número de pagadores únicos mensais cresceu 52 por cento em um ano, chegando a 31 milhões. Mais de mil marcas estão usando o produto Rewarded Video da plataforma, com taxas de conclusão acima de 90 por cento e viewability acima de 95 por cento, números melhores do que a média do mercado publicitário digital tradicional. O conteúdo fora dos top 10 jogos cresceu 43 por cento em engajamento e 41 por cento em gasto de Robux comparado ao ano anterior, mostrando que a plataforma está deixando de depender apenas dos hits massivos.
Criadores: economia de cauda longa
Os mil principais desenvolvedores ganharam em média 1,1 milhão de dólares cada no último ano. Mais de 60 dos top 100 criadores por gasto estão usando o Ads Manager nativo da plataforma. A Roblox aumentou em setembro de 2025 a taxa de pagamento aos criadores em 8,5 por cento, e a partir de junho de 2026 vai elevar a participação efetiva dos criadores para 37,8 por cento sobre o gasto gerado por usuários adultos verificados nos Estados Unidos, contra os atuais 26,6 por cento. Isso é mudança estrutural na economia da plataforma.
Brasil: posição estratégica
O país é o quarto maior mercado de desenvolvedores no Roblox global. Em volume de usuários, está entre os top 5 do mundo. Mais relevante: existe demanda crescente de marcas brasileiras querendo entrar na plataforma, mas faltava interlocução estratégica local que entendesse tanto os times globais quanto a realidade nacional. É exatamente esse vácuo que Dzodan vem preencher.
Como marcas estão usando a Roblox como mídia
A grande virada dos últimos dois anos foi a transformação da Roblox em plataforma publicitária séria. Marcas que antes olhavam a plataforma como curiosidade hoje a integram aos planos anuais de mídia ao lado de Meta, Google e TikTok.
Tempo médio de permanência incomparável
Quando uma marca cria sua própria experiência dentro do Roblox, o tempo médio de permanência do usuário chega a 11 minutos. Comparado com 3 a 8 segundos de um vídeo no Instagram ou TikTok, essa diferença é gritante. Para construção de marca e relacionamento com público jovem, esse tempo de exposição em ambiente imersivo entrega um tipo de conexão que mídia tradicional não consegue replicar.
Cases internacionais que viraram referência
O Walmart criou experiências dentro da Roblox com testes de comércio real, permitindo que usuários comprem produtos físicos dentro da plataforma. A E.l.f. Beauty aplicou estratégia similar com sucesso. A Warner Bros lançou em parceria com a Fandango uma experiência para Beetlejuice 2 que atraiu mais de 25 milhões de visitas, número que fez agências de mídia tradicionais reverem o ROI estimado de campanhas no Roblox.
Integração com Shopify e e-commerce
Em 2026, a Roblox começou a permitir que criadores vendam mercadorias físicas diretamente dentro de jogos e experiências, integrando plataformas de e-commerce começando pelo Shopify. Isso transforma cada experiência da Roblox em ponto de venda potencial, criando uma camada nova de monetização que beneficia tanto criadores quanto marcas parceiras.
Esse movimento conecta diretamente com algo que vimos sobre como o Magalu transformou personagens digitais em plataforma de monetização real. A lógica é a mesma, e profissionais de marketing brasileiros que dominarem ambas as estratégias terão vantagem competitiva relevante nos próximos anos.
O que muda para criadores brasileiros
Para a comunidade de desenvolvedores e criadores no Brasil, a chegada de Dzodan deve representar intensificação do investimento e suporte. Vale entender em quais frentes isso provavelmente vai aparecer.
Ferramentas de monetização locais
Hoje, o ecossistema de pagamentos da Roblox foi pensado primariamente para mercado americano. Criadores brasileiros enfrentam complicações para receber em reais, lidam com taxas internacionais e pagamento via processadores nem sempre integrados com a realidade local. Era esperar um esforço de localização nesse front, com integração maior ao Pix, opções de pagamento que reduzam fricção para o consumidor brasileiro e canais mais ágeis para conversão de Robux em moeda local.
Apoio a estúdios independentes
O Brasil tem cena crescente de pequenos estúdios independentes de games, muitos formados por desenvolvedores entre 18 e 25 anos que aprenderam programação justamente na Roblox. Suporte estruturado para esses estúdios crescerem (mentorias, acesso a ferramentas avançadas, conexões com marcas) é onde a Roblox pode fazer diferença real na economia criativa nacional. Programas similares já existem em mercados maduros como Estados Unidos e Coreia do Sul.
Conexão com marcas brasileiras
Marcas brasileiras como Magazine Luiza, Itaú, Bradesco, Nubank, Boticário, Natura e várias outras que já operam digitalmente em escala têm potencial real de criar experiências relevantes dentro da Roblox. A função de Dzodan será exatamente essa: aproximar essas marcas da plataforma, oferecendo casos de uso adaptados, mensuração local e suporte de execução. Quando essas integrações acontecerem em volume, criadores brasileiros viram beneficiários diretos das parcerias.
Capacitação e educação
Existe gap significativo entre o talento técnico bruto que existe no Brasil e o conhecimento específico de como construir experiências bem-sucedidas dentro da Roblox. Programas de capacitação, parcerias com universidades, eventos presenciais e conteúdo educacional em português são investimentos que provavelmente vão crescer sob a nova liderança regional.
O que isso significa para profissionais de marketing
Para quem trabalha com marketing digital em 2026, ignorar a Roblox como canal estratégico já não é opção viável, especialmente para marcas que querem dialogar com público jovem. Algumas implicações práticas dessa nova fase merecem atenção.
A primeira é sobre pensar a Roblox como mídia, não como experimento. Profissionais ainda tratam a plataforma como curiosidade ou ação pontual de marketing experiencial. Os números mostram que ela já é canal sério, com KPIs mensuráveis e ROI comparável às grandes plataformas digitais. Incluir Roblox no plano anual de mídia, mesmo com investimento inicial pequeno, é decisão que se justifica facilmente.
A segunda é sobre a necessidade de parceria com criadores. Marcas que tentaram entrar na Roblox sozinhas, sem trabalhar com desenvolvedores experientes, geralmente fracassaram. Segundo o próprio time de marketing global da Roblox, o sucesso vem da colaboração com a comunidade de criadores que conhece a plataforma de dentro. No Brasil isso significa identificar e estabelecer relacionamento com os principais estúdios e desenvolvedores nacionais, não tentar replicar fórmulas internacionais sem adaptação cultural.
A terceira é sobre métricas próprias. Roblox não funciona com a lógica de impressões e cliques de mídia tradicional. Os indicadores que importam são tempo médio de permanência, retornos espontâneos à experiência, criação de UGC (user-generated content) ao redor da experiência da marca, integração com avatar do usuário. Profissionais que tentam aplicar dashboards do Meta ou Google diretamente na Roblox geralmente concluem erradamente que a plataforma não funciona, quando na verdade estão medindo as coisas erradas.
A quarta é sobre paciência criativa. Construir uma experiência relevante dentro da Roblox exige meses de desenvolvimento, e os resultados aparecem ao longo do tempo, não em campanhas de duas semanas. Marcas que querem retorno imediato vão se frustrar. As que entram com horizonte de seis a doze meses construindo presença consistente colhem resultados significativos.
Os riscos e desafios desse movimento
Análise honesta exige também reconhecer os pontos cegos da estratégia. A Roblox enfrenta questões reais que Dzodan vai precisar navegar com cuidado. A primeira é a percepção pública de segurança da plataforma para crianças. A empresa enfrentou nos últimos anos críticas e ações regulatórias em vários países sobre proteção de menores, exposição inadequada de conteúdo e risco de aliciamento. Embora a maioria dos investimentos em segurança tenha sido feita, o trabalho de comunicação e tranquilização de pais brasileiros ainda é necessário.
A segunda questão é a competição crescente. Fortnite com Unreal Editor, Minecraft com Marketplace, plataformas chinesas como Honor of Kings e novos entrantes baseados em IA generativa estão disputando o mesmo espaço de tempo de tela e dinheiro do consumidor jovem. Manter a Roblox relevante exige investimento contínuo em diferenciação, e parte desse trabalho recai sobre os times regionais.
A terceira é o equilíbrio entre criadores e plataforma. A receita dos criadores depende das regras de divisão de Robux que a Roblox define. Quando a empresa mexe nessas regras (mesmo para melhorar como fez recentemente), gera ondas de incerteza na comunidade. Dzodan vai precisar comunicar essas mudanças de forma a manter a confiança dos desenvolvedores brasileiros, especialmente os pequenos e médios que dependem da estabilidade dessas regras para sustentar negócios.
A quarta é a regulamentação de moedas virtuais e tributação. Brasil tem discussões em curso sobre como tributar transações em moedas digitais, incluindo Robux convertido em reais. Dependendo de como essas regras evoluírem, podem afetar significativamente a economia interna da plataforma no país.
O recado prático para o mercado brasileiro
A nomeação de Dzodan é mais do que troca de executivo. É declaração de intenções da Roblox sobre o tamanho que a empresa quer ter no Brasil nos próximos cinco anos. Para profissionais de marketing, criadores e empreendedores digitais, vale extrair lições e ações concretas desse movimento.
Primeiro, vale começar a estudar a plataforma agora, antes que o investimento corporativo em massa chegue e o custo de entrada suba. Marcas que se posicionam cedo em novas plataformas conseguem custos de aquisição muito mais baixos do que as que entram quando o canal já está saturado. Isso vale para Roblox em 2026 da mesma forma que valeu para Instagram em 2014 ou TikTok em 2020.
Segundo, vale identificar os criadores brasileiros que já operam dentro da plataforma. Existem dezenas de desenvolvedores nacionais com bases de jogadores que somam milhões de usuários. Estabelecer relacionamento com esses talentos antes que as grandes agências internacionais cheguem é forma inteligente de garantir parcerias produtivas no futuro próximo.
Terceiro, vale considerar a Roblox como ferramenta de marca empregadora. Empresas que querem atrair talentos da geração Z e Alpha podem usar presença na plataforma como diferencial. Ações de recrutamento, employer branding e cultura organizacional dentro da Roblox criam conexões com candidatos jovens em ambientes onde eles já estão, em vez de tentar trazê-los para o LinkedIn que eles não acessam.
Quarto, vale acompanhar de perto os movimentos do time de Dzodan nos próximos meses. Anúncios sobre novos produtos para criadores, parcerias com marcas brasileiras, eventos presenciais e programas educacionais vão começar a aparecer. Profissionais que estão atentos conseguem se posicionar nesses programas como early adopters, ganhando visibilidade dentro da comunidade.
A combinação entre o talento de Diego Dzodan e o potencial inexplorado do mercado latino-americano cria um cenário promissor para os próximos anos. Roblox no Brasil tem chance real de virar plataforma central de criação digital, varejo conversacional e experiência de marca para uma geração inteira de consumidores que está crescendo dentro do ecossistema. Profissionais que entenderem isso primeiro e agirem com antecedência vão construir vantagem competitiva relevante na próxima década do digital brasileiro.
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Perguntas frequentes
FAQ do artigo
Quem é Diego Dzodan e qual é a relevância dele para o mercado brasileiro?+
Diego Dzodan é o novo general manager da Roblox para a América Latina, anunciado no fim de abril de 2026. Sua trajetória combina três tipos de experiência raramente reunidos em um único executivo. Foi vice-presidente da Meta para a América Latina, função em que liderou operações em um dos mercados digitais mais dinâmicos do mundo. Antes disso, teve longa carreira na SAP, gigante alemã de software corporativo, alcançando o cargo de presidente regional. Também é cofundador da Facily, uma das primeiras plataformas de social commerce do Brasil. Essa combinação de governança corporativa, conhecimento profundo do comportamento digital regional e visão empreendedora explica por que a Roblox o escolheu para liderar uma das regiões mais estratégicas para o crescimento global da empresa nos próximos anos.
Qual o tamanho da Roblox em 2026 e por que isso importa para marcas?+
A Roblox encerrou o primeiro trimestre de 2026 com 151,5 milhões de usuários ativos diários no mundo, distribuiu mais de 1 bilhão de dólares para criadores no último ano e tem 31 milhões de pagadores únicos mensais. O tempo médio de permanência em experiências de marcas dentro da plataforma chega a 11 minutos, número impressionante quando comparado aos poucos segundos de mídia tradicional. Mais de mil marcas usam o produto Rewarded Video da Roblox, com taxas de conclusão acima de 90 por cento e viewability de 95 por cento, métricas superiores à média do mercado publicitário digital. O perfil do usuário também mudou: a faixa mais engajada está entre 17 e 24 anos, e usuários acima de 18 anos monetizam mais de 50 por cento acima dos menores de idade. Para profissionais de marketing, isso significa que a Roblox deixou de ser experimento de marca e virou canal de mídia comparável às grandes plataformas digitais.
Por que o Brasil é estratégico para a Roblox globalmente?+
O Brasil é o quarto maior mercado de desenvolvedores no Roblox no mundo, segundo a própria empresa. Em volume de usuários, está entre os top 5 globais. Existe ainda demanda crescente de marcas brasileiras querendo criar experiências dentro da plataforma, mas faltava interlocução estratégica local que entendesse tanto os times globais quanto a realidade nacional. É exatamente esse vácuo que Dzodan vem preencher. O país combina massa crítica de usuários, talento técnico em desenvolvimento, marcas dispostas a investir em experimentação digital e cultura de criação online que poucos mercados emergentes conseguem reunir. Com a liderança regional consolidada, a expectativa é que o Brasil vire um dos polos globais de criação na plataforma nos próximos cinco anos.
Quanto criadores brasileiros podem ganhar na Roblox?+
A faixa de ganho é ampla, mas os dados globais são reveladores. Os mil principais desenvolvedores da Roblox no mundo ganharam em média 1,1 milhão de dólares cada no último ano. A partir de junho de 2026, a empresa vai elevar a participação efetiva dos criadores para 37,8 por cento sobre o gasto gerado por usuários adultos verificados nos Estados Unidos, contra os atuais 26,6 por cento. No Brasil, criadores de médio porte com bases de jogadores que somam centenas de milhares de usuários conseguem rendas mensais que variam de poucos milhares a dezenas de milhares de reais, dependendo do engajamento da comunidade e da monetização através de itens virtuais, passes especiais e parcerias com marcas. A barreira de entrada é baixa, basta saber programar em Lua dentro do Roblox Studio, mas o potencial de escala é real para quem domina as ferramentas e entende o comportamento da comunidade.
Como marcas brasileiras podem entrar na Roblox de forma inteligente?+
A regra de ouro é trabalhar com criadores experientes em vez de tentar replicar a plataforma do zero sozinha. Marcas que entraram na Roblox sem parceria com desenvolvedores conhecedores da cultura da plataforma costumam fracassar. O caminho recomendado pelo próprio time de marketing global da Roblox é identificar criadores brasileiros já estabelecidos, estabelecer relacionamento com eles e construir experiências adaptadas à comunidade que eles já cultivam. Casos internacionais como Walmart, E.l.f. Beauty e Warner Bros mostram que o sucesso vem da combinação entre orçamento de marca e expertise criativa local. Métricas como tempo médio de permanência, retorno espontâneo à experiência e criação de conteúdo gerado por usuários ao redor da marca são os indicadores corretos de sucesso, não os modelos de impressão e clique da mídia tradicional. Vale entrar com horizonte de pelo menos seis a doze meses, não como ação pontual.
Quais os principais desafios que Dzodan vai enfrentar?+
Quatro desafios merecem atenção especial. Primeiro, percepção pública sobre segurança da plataforma para crianças, tema que gerou críticas e ações regulatórias em diversos países nos últimos anos e que ainda precisa de comunicação adequada para tranquilizar pais brasileiros. Segundo, competição crescente com Fortnite, Minecraft, plataformas chinesas e novos entrantes baseados em IA generativa, todos disputando o mesmo tempo de tela do consumidor jovem. Terceiro, equilíbrio na economia interna da plataforma, já que ajustes nas regras de divisão de Robux geram ondas de incerteza na comunidade de criadores que dependem dessa estabilidade para sustentar negócios. Quarto, regulamentação e tributação de moedas virtuais no Brasil, tema em discussão que pode afetar significativamente como Robux é convertido em reais e como criadores reportam essa renda. Navegar esses temas com diplomacia e visão estratégica vai definir se a aposta da Roblox no Brasil colhe os resultados esperados.
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